11º ano nos Caminho de Santiago

29/03/2018
Entre 18 e 24 de março os alunos do 11º ano fizeram o Caminho de Santiago. Deixamos o testemunho do aluno Rodrigo Theotónio.

Do caminho para a vida 

No Caminho acordamos cada dia ansiosos por saber quais os desafios que este nos propõe para esse dia, que pessoas é que nos vão escutar, que gestos nos vão tocar, que palavras nos vão ficar marcadas. De manhã cedo acordamos e temos de logo de nos levantar, despir, vestir, fazer a mala, lavar a cara, desfazer a cama, arrumar o quarto e finalmente ir para o pequeno-almoço. Este já está em cima de mesas, preparado com grande amor e dedicação, com um aspeto sempre muito apetecível, e muito variado, desde pão do dia, ao leite quente ou frio, passando por fruta e tudo o que se pode pôr num pão e no leite.

Cada pessoa percorre o seu caminho, que é único, mas as setas amarelas que estão em cada esquina, em cada encruzilhada, transmitem-nos a confiança de que estamos a percorrer um caminho que já foi percorrido por muitos, que alguém o preparou para que o pudéssemos fazer, quase como um exemplo a seguir, foi este caminho que nós os 88, percorremos. Cedo percebi que seria impossível estar com todos ao mesmo tempo, que teria muitas vezes de ir ao ritmo de outros e que não queria ir sempre com o mesmo grupo. Assim, senti-me obrigado a sintonizar desde logo com O Caminho.

“O Caminho está a ser ótimo, não podia estar a ser melhor. A cada dia tenho um grupo de caminhada diferente e cada dia sinto que cresço, na maneira de pensar, de falar e de ouvir os outros e de estar com Deus. Sinto, a cada dia, uma evolução em cada pessoa." - escrevi ao final de uns dias. E prossegui: "Fisicamente estou ótimo, a minha condição física é boa e não tenho dor alguma, ao contrário de muitos amigos meus que estão cheios de bolhas e dores nas costas e pernas, alguns mal conseguem andar, mas por algum motivo eles não param e acordam cada manhã com vontade de percorrer os vinte e tal quilómetros do dia.

Procuro ajudar os outros da melhor forma que sei, incentivando com elogios e palavras de motivação ou com a minha energia que não sei bem de onde vem. Sinto, também, que estou a ser ajudado de muitas maneiras, pelas partilhas dos outros, pelas suas dificuldades, pelo seu ouvido atento, por algum espírito diferente que só quem anda a caminho percebe.

Os professores estão a ser fantásticos: o professor Miguel Robalo está encarregue da carrinha de apoio, todos os dias de manhã acorda mais cedo para preparar o pequeno-almoço e ao longo do caminho, quando precisamos, vai entregando comida, dá-nos todas as condições para termos o melhor caminho possível; o professor Pedro Quintans é um expert do caminho e tranquiliza-nos da melhor maneira, tratando de bolhas, dando conselhos ou simplesmente um abraço; a “Goinha” (psicóloga Glória) tem sempre um assunto de conversa adequado e construtivo, é uma ótima companhia, sempre alegre e bem disposta; o professor Pedro Luz está responsável pela parte da pastoral e é inacreditável como num grupo enorme de pessoas, muitas sem muita experiência espiritual, ele consegue por todos atentos ao Evangelho e faz com que cada um pense e questione a sua vida, o que é indispensável n’O Caminho; o Administrador Miguel Morais é uma figura paternal que tem sempre uma coisa “à pai” para dizer: que temos de saber estar em cada momento, que por vezes temos de fazer as coisas com mais calma, etc.; o João Brandão (professor também da pastoral) é fantástico na maneira como consegue ter um elogio certo para cada um, uma ação certa em cada momento, é uma companhia insubstituível; a professora Adelaide foi, no terceiro dia, a minha companheira de caminho e foi fantástico como ela nos deixou conhecer os seus pensamentos e inquietações e também ouviu e nos ajudou nas nossas, essencial para perceber melhor as semelhanças entre, neste caso, um professor e um aluno; por último, a professora Maria João, que tem uma força inabalável dentro de si, uma coragem que faz com que queira ir andar todos os dias para o caminho sabendo que não consegue andar bem do quarto à casa de banho, sem ter de provar nada a ninguém, apresentou este espírito de sacrifício que fez com que até ao último dia fizesse tudo ao seu alcance para fazer o seu próprio caminho. Cada um, um exemplo muito diferente, de como se deve viver, cada um único e indispensável para o nosso caminho

Por todas estas razões e outras, esta está a ser uma experiência única, uma das melhores de toda a minha vida, e sem dúvida a repetir.