"Está mesmo lá alguém?" perguntava o Bernardo Caldas falando da IA. E não, não está.
Quem cá está são as pessoas, os professores, e o Bernardo foi acutilante e certeiro ao dizê-lo.
Aos professores cabe criar boas experiências de aprendizagem, que incluem passar o processo de criação para o aluno.
A IA entra aqui que nem ginjas!
Mas é preciso ensinar a relação certa com a tecnologia, porque não podemos resvalar para um uso passivo e preguiçoso. O desafio que temos em mãos é bem claro: se queremos ensinar a autonomia da decisão, o pensamento contrário e o pensamento crítico, temos de aprender a transformar a IA num aliado - para deixar de ser um impecilho ao pleno desenvolvimento intelectual, social e moral do ser humano.
O Bernardo desafiou-nos a pensar por que razão dizemos aos alunos que é bom estudar.
Grande questão! Talvez devêssemos passar mais tempo a discutir isto, em vez de horários e calendários, manuais vs. tecnologia e número de alunos por turma, como faz a maior parte das escolas.
Por que razão fazemos o que fazemos? Como ajudamos os nossos alunos a criar uma vida com sentido, que ultrapassa a fronteira do 12º ano e a entrada na faculdade, como se disso dependesse a realização de cada aluno? Como ensinamos os nossos alunos a viver neste mundo sem se conformarem com ele, sabendo que "O mundo anda sem nós, de nós depende que ande connosco?" (Pedro Arrupe)
Em dois dias de pitches e worshops organizados pela nossa equipa de IA e animados por cerca de 30 professores, muito se discutiu e aprendeu, sabendo que a tarefa é gigantesca e estamos ainda a começar.
Ao Bernardo Caldas, um agradecimento difícil de dizer de outro modo: deixaste uma semente fecunda nesta comunidade.
Obrigado!
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