Tema do Ano

29/09/2021
Ver novas todas as coisas em Cristo.

 

Há 500 anos atrás um homem, basco e cavaleiro, cheio de sonhos e planos, ficou gravemente ferido numa batalha em Pamplona. Dessa ferida provocada pelos estilhaços de uma bala de canhão nasceu uma mudança interior e um olhar totalmente novo sobre a realidade. Este homem era Inácio de Loyola, o cavaleiro que se transformou em peregrino, e que está mais próximo de nós do que alguma vez imaginámos.

Tal como Inácio e a bala de canhão, as nossas histórias pessoais são narrativas de vida que também abarcam momentos de rutura. Trata-se daquela «bala» que nos atinge, aquele acontecimento ou situação que nos provoca dor, sofrimento, angústia, dúvidas, falta de sentido… e onde nos interrogamos acerca de muitas coisas: a vida que levamos, a perspetiva que temos sobre tudo, os nossos valores e aquilo em que acreditamos. Esses processos interiores alteram a perceção de quem somos, do que desejamos, de como andamos a viver e como queremos continuar a projetar o futuro. A partir daqui, por vezes, instaura-se um novo olhar sobre a realidade. Para Inácio, foi aprender a «ver novas todas as coisas em Cristo».

Pedro Arrupe também viveu os seus momentos «bala de canhão»: a morte da mãe quando tinha 8 anos; o confronto com a miséria das famílias da periferia de Madrid; ou, já como jesuíta no Japão, a transformação da sua casa em hospital após a queda da bomba atómica em Hiroshima… Têm em comum o facto de terem dado origem a uma transformação do olhar pessoal sobre a realidade.

Ao celebrar os 500 anos desta conversão, a Companhia de Jesus e todas a comunidades inacianas como o colégio Pedro Arrupe, tomam como lema para o seu ano de trabalho esta atitude arrojada de ver novas todas as coisas em Cristo. Num certo sentido, é o reconhecimento de que aquele processo interior de Inácio desencadeado por uma bala é também a origem da própria Companhia de Jesus e da identidade inaciana.

É este o nosso compromisso. A Pastoral e a Capelania do Colégio Pedro Arrupe através do seu trabalho em equipa com todos os professores e educadores, bem como com os alunos e as famílias, procurará criar a proximidade necessária para que o caminho em direção a um «olhar renovado» sobre a realidade possa ser feito por todos.

Bom ano para todos!